Covid-19: Discernir os sinais do tempo

Lemos no evangelho que, em certa ocasião, aos fariseus que cobravam de Jesus um sinal, Ele respondeu-lhes: “Ao entardecer dizeis: vai fazer bom tempo, porque o céu está avermelhado; e de manhã: hoje teremos tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. O aspecto do céu, sabeis interpretar, mas os sinais dos tempos, não podeis!” (Mt 16,1-3)

Nas páginas da bíblia a expressão “sinal” é bastante abundante. Desde o livro do Gênesis ao Apocalipse Deus se serve de sinais para se comunicar conosco. Toda tradição bíblica, portanto, nos desafia a discernir os sinais dos tempos, a luz do Espírito Santo, para podermos servir ao reino na fidelidade à Jesus Cristo e ao evangelho.

Estamos todos vivendo dias difíceis, dias no mínimo “sombrios”, com muitas perguntas e poucas respostas. Como disse o Papa Francisco, “estamos todos, todos, sem nenhuma exceção, no mesmo barco”. Como discípulos de Cristo, não podemos sucumbir em nossa fé e confiança no amor e misericórdia de Deus que são eternos.

Apesar de não termos todas as respostas que desejaríamos, é preciso que a fé em Deus nos ajude a atravessar toda essa crise gerada pela Pandemia do Coronavirus, com a firme esperança de que, uma vez superada, poderemos viver a vida de uma maneira radicalmente nova, muito mais intensa em tudo aquilo que somos e fazemos no dia a dia, seja no âmbito pessoal e individual.

Obviamente, não quero de forma alguma amenizar o duro impacto humano e econômico da pandemia sobre todos nós. Quero sim, dizer que, se temos que atravessar essa crise, procuremos torná-la fecunda, dando-lhe o potencial de afetar positivamente nosso estilo de vida, nossas relações em família, no trabalho, na sociedade...

Todos devemos concordar, a muitas coisas que podemos rever, repensar, redimensionar em todos os aspectos e esferas de nossa vida, para que mudanças profundas de fato se concretizem em todos os níveis de nossa existência, desde o cuidado como a nossa saúde até o cuidado que todos devemos assumir com os mais vulneráveis, os pobres e excluídos, os doentes e idosos, a natureza e o meio ambiente.

Há estudos que apontam, grandes epidemias ao longo da história afetaram política e economicamente de tal forma países inteiros provocando um maior equilíbrio em muitos aspectos, inclusive na questão da justiça e desigualdade social. Não podemos ser simplistas ou ingênuos, resistências por parte de grupos entrincheirados vivendo no conforto das riquezas e do poder, que não tem nenhum interesse nesse tipo de mudança, sempre irão existir.

Contudo, se cada um fizer ao menos aquilo que está ao seu alcance, vamos atravessar todos essa tormenta e aprender muito com ela, tornando-nos muito mais humanos, sensíveis e melhores em todos os sentidos; tornando-nos mais respeitosos com o outro que pensa e vive diferente de nós; tornando-nos homens e mulheres que irradiam a alegria e o prazer de poder viver de maneira fraterna com todos.

Este é o momento, o tempo favorável para, como filhos e filhas de Deus, avaliarmos o que realmente importa para nós? Quais os valores tem norteado e dado sentido à nossa vida? Lembremo-nos do que disse Jesus: “O que adianta ao homem ganhar o mundo e perder a própria vida? O que poderá o homem dar em troca de sua vida?” (Mt 16, 26)

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